Os Samaritanos Eram Judeus
Os samaritanos eram judeus é uma afirmação frequentemente usada para sintetizar a relação histórica, religiosa e étnica entre dois povos da região de Samaria, embora a identidade samaritana seja distinta em origens, práticas e autopercepção em relação ao judaísmo.
Origens étnicas e religiosas
Os samaritanos surgiram a partir de uma divisão que remonta ao século VII a.C., quando o Reino de Israel do Norte foi conquistado pelos assírios. Muitos israelitas foram deportados e substituídos por outros povos, enquanto os que permaneceram, especialmente os camponeses da região de Samaria, passaram a conviver próximo a esses grupos. Historicamente, eles reivindicam descendência das tribos de Efraim e Manassés, embora sua identidade tenha se moldado também a partir da influência externa. Em contraste, os judeus que retornaram de Babilônia ao território de Judá reconstruíram sua vida em redor do templo de Jerusalém, seguindo uma tradição religiosa que consideravam mais pura e centralizada.
Traços religiosos em comum
Apesar das diferenças, ambos compartilham raízes profundas no texto bíblico hebraico. Os samaritanos aceitam os cinco livros de Moisés (a Torá) como sua principal autoridade religiosa, enquanto os judeus adotaram uma Escritura mais ampla, que inclui os Profetas e os Escritos. Essa base comum troucou para ambos o culto ao Deus único, ainda que a interpretação e a prática fossem distintas.
Elementos que os distinguem
As divergências são significativas e tocam desde o templo até a liturgia. Os samaritanos consideram o monte Gerizim, e não o monte Sinai, como o local sagrado para o culto, e construíram um templo lá durante a Idade Antiga. Já os judeus, após o exílio, associaram o culto exclusivamente ao templo de Salomão em Jerusalém. Além disso, os samaritanos mantiveram práticas como o sábado estrito e algumas normas alimentares próprias, que entram em tensão com as interpretações judaicas da mesma época.
Conflitos e interações ao longo da história
As relações entre samaritanos e judeus foram marcadas por tensões, preconceitos e, em alguns períodos, colaboração. Nos tempos do Segundo Templo, os grupos se rivalizavam, e cada um via no outro uma interpretação incorreta da fé. Essa desconfiança surgiu não apenas de diferenças teológicas, mas também de contextos políticos, já que cada grupo buscava legitimidade perante o poder imperial da época. Com o tempo, o isolamento geográfico e social fez com que os samaritanos se tornassem uma comunidade ainda mais particularista, preservando sua língua (aramaico samaritano) e costumes.
Preservação cultural
Atualmente, a comunidade samaritana é numerosíssima, com poucas centenas de pessoas, e vive principalmente em Israel e na Cisjordânia. Elas mantêm tradições ancestrais, como o culto em montanhas e a celebração de festas bíblicas de forma ritualizada. A interação com o judaísmo moderno é limitada, e muitos judeus contemporâneos reconhecem a existência dos samaritanos como um ramo distinto da tradição israelita, embora nem sempre como parte integrante do povo judeu.

Resumo dos principais pontos
- Os samaritanos constituem um grupo étnico e religioso com origens na antiga Israel, mas com identidade própria em relação aos judeus.
- Têm em comum a fé monoteísta e a base na Torá, mas divergem em temas como o templo sagrado e a prática religiosa.
- A relação entre as duas comunidades foi marcada por conflitos, diferenças políticas e uma longa história de separação cultural.
- Apesar da proximidade geográfica e histórica, os samaritanos não são considerados parte do judaísmo contemporâneo, mas sim um grupo religioso distinto.
Perguntas frequentes
Os samaritanos fazem parte do judaísmo?
Não. Os samaritanos são um grupo religioso e étnico separado, embora compartilhem algumas origens antigas e a veneração da Torá.
Qual a principal diferença entre samaritanos e judeus?
A principal diferença reside no templo sagrado: os samaritanos reconhecem o monte Gerizim, enquanto os judeus reconhecem o templo de Jerusalém como o único local de culto.
Os samaritanos aceitam o Novo Testamento?
Não. A aceitação deles se limita aos cinco livros de Moisés, recusando escrituras que surgiram após a época da Torá.

Quantos samaritanos existem hoje?
Atualmente, a comunidade samaritana é extremamente pequena, composta por poucas centenas de pessoas, principalmente em Israel e na Cisjordânia.
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