O Que É Laterização
O que é laterização: fenômeno da formação de solos altamente argilosos e férricos, criados pela intensa alteração química e mineralógica da rocha-mãe em climas tropicais e subtropicais úmidos. Trata-se de um processo de weathering profundo que transforma a crosta terrestre em depósitos ricos em óxidos de ferro e alumínio, com baixa disponibilidade de cálcio e magnésio.
Definição e características principais
A laterização é a ação conjunta de processos físicos, químicos e biológicos que, ao longo de milhões de anos, remove sais solúveis e sílica da rocha, deixando para trás uma massa argilosa endurecida. Suas principais características incluem:
- Elevada concentração de ferro e alumínio em formas insolúveis (óxidos e hidróxidos).
- Perda praticamente total de cálcio, magnésio e sais solúveis.
- Textura muito argilosa, com grãos finíssimos que podem ser endurecidos como pedra quando seco.
- Coloração predominante vermelha, amarela ou marrom, proveniente dos minerais de ferro hidratado.
- Baixa permeabilidade e capacidade de retenção hídrica, dificultando a infiltração.
Como funciona o processo de laterização
O mecanismo da laterização funciona em etapas ligadas ao clima úmido e ao relevo geralmente plano ou ondulado. Entenda o passo a passo:

Weathering químico intenso
Em altas temperaturas e com chuvas abundantes, a rocha sofre hidratação, dissolução e lixiviação. Os sais cáricos e a sílica são levados pela água infiltrada, saindo em solos ou rios próximos.
Mobilização de elementos
Enquanto isso, ferro e alumínio são transportados em solução, mas, ao atingirem zonas mais oxidantes ou menos lavadas, precipitam-se em formas duras, criando nódulos ou camadas endurecidas.
Formação da camada de laterite
A rocha alterada, mais pobre em nutrientes mas rica em minerais de ferro e alumínio, pode chegar a metros de espessura, formando o que chamamos de “crosta de lateriza”, muitas vezes com nódulos de ferro (“seixos” ou “bocaina”).

Onde a laterização ocorre no Brasil
No território brasileiro, a laterização é bastante comum em regiões de floresta tropical úmida e cerrado, especialmente em áreas de planalto e depressões com drenagem inadequada. Exemplos típicos incluem:
- Partes da Amazônia, especialmente em áreas de floresta tropical úmida com solos de origem sedimentar.
- Cerrado mineiro, goiano e mato-grossense, onde o clima sazonal favorece a lixiviação intensa.
- Depressões interiores de estados como Mato Grosso, Rondônia e Pará, com relevo mais plano e solos de difícil drenagem.
Tipos de laterização
De acordo com o grau de alteração e as condições de drenagem, observamos variantes importantes:
Laterização em relevos bem drenados
Ocorre em áreas em que a água circula bem, retirando sais rapidamente. Forma-se uma crosta dura, nódulos de ferro e pouca argila, resultando em solos férricos vermelhos.

Laterização em depressões ou locais com má drenagem
Nesses locais, a água estagna, provocando processos ainda mais intensos de transformação, com acúmulo de matéria orgânica parcialmente decomposta e camadas mais lamacentas e plásticas.
Impactos da laterização na agricultura e uso da terra
Solos laterizantes apresentam desafios e oportunidades para o homem. Entenda os principais pontos:
- Baixa fertilidade natural, devido à ausência de cálcio e magnésio solúveis.
- Dificuldade de manejo agrícola, pois a argila endurece como tijolo quando seca e torna-se lamacento quando molhado.
- Necessidade de correções intensivas com calcário, fósforo e matéria orgânica para torná-los produtivos.
- Potencial para uso florestal e extrativista, já que muitas áreas laterizantes abrigam biodiversidade importante.
Laterização versus outros tipos de solos
É comum comparar a laterização com solos argissolos, oxissolos e próprias podzóis, mas cada um tem origens distintas:

- Diferentemente dos argissolos, que podem ser férteis em regiões temperadas, a laterização tende a ser naturalmente pobre em nutrientes.
- Em relação aos oxissolos, a laterização é mais intensa em áreas de clima tropical úmido, com maior mobilização de ferro e alumínio.
- Já em relação às podzóis, forma-se pela desativação de nutrientes, não pela lixiviação da matéria orgânica.
Conservação e manejo de áreas laterizadas
Proteger e usar solos laterizantes exige atenção para evitar degradação. Algumas práticas recomendadas incluem:
- Evite o escoamento superficial em áreas laterizantes, pois a erosão pode remover a camada fina de solo fértil.
- Use cobertura vegetal permanente para reduzir a perda de nutrientes e evitar o endurecimento da crosta.
- Em áreas agrícolas, adote correções de solo com calcário e manejo de clareiras em escala reduzida.
- Em regiões de cerrado, priorize a preservação de trechos de floresta para manter a dinâmica hídrica e a biodiversidade.
Perguntas frequentes
O que caracteriza uma área de laterização no Brasil?
Áreas de laterização no Brasil geralmente apresentam clima úmido ou subúmido com estação seca moderada, relevo plano ou ondulado, solos de origem sedimentar e vegetação nativa como floresta tropical ou cerrado.
Laterização é a mesma coisa que solo vermelho?
Nem sempre, mas muitas vezes sim. A laterização costuma produzir solos de coloração vermelha ou acinzentada pela presença de óxidos de ferro, embora nem todos os solos vermelhos sejam laterias puros.

É possível fazer agricultura em solos laterizantes?
Sim, é possível, mas exige correções de solo intensas, manejo cuidadoso para evitar compactação e erosão, e escolha de culturas adaptadas à baixa fertilidade natural.
Qual a relação entre laterização e mineração?
Em algumas regiões, a laterização concentra minérios de ferro e alumínio em nódulos, sendo explorada economicamente, mas o processo de formação é natural e demora milhões de anos.
LATERIZAÇÃO DOS SOLOS: O QUE É?
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