CPRE é uma cirurgia que visa tratar lesões pré-cancerosas e iniciais do pâncreas por meio de ressecção minimamente invasiva, preservando tecido saudável e reduzindo tempo de recuperação.

O que significa CPRE e quando ela é indicada

A sigla CPRE representa Cirurgia Preservadora do Pâncreas em Ressecção Endoscópica. Trata-se de uma abordagem endoscópica que permite a remoção de lesões pancreáticas focais, como neoplasias intradutais mucinosas (NIM), adenocarcinomas pancreáticos iniciais e outros tumores pré-cancerosos, com preservação máxima do pâncreas saudável. A indicação surge em pacientes com lesões localizadas, geralmente assintomáticas ou com sintomas leves, em estágio inicial e sem evidência de disseminação local ou metástase. A escolha por CPRE é baseada em critérios de imagem, biópsia e avaliação multidisciplinar, buscando sempre conservar a função exócrina e endócrina do órgão sempre que possível.

Pré-operatório: avaliação e preparação detalhada

O sucesso da CPRE começa no pré-operatório, onde a equipe realiza uma avaliação completa para garantir segurança e adequação ao procedimento. Durante essa fase, são solicitados exames de imagem, como tomografia computadorizada (TC) ou ressonância magnética com colangiopancreatografia por ressonância (RCM), endoscopia digestiva alta com ultrassonografia endoscópica (EUS) e, quando necessário, biópsia guiada. Os exames laboratoriais incluhem hemograma, coagulograma, função hepática e glicemia. O paciente recebe orientações sobre jejum, suspensão de medicações anticoagulantes e manejo de comorbidades. A anestesia é avaliada e, em geral, o procedimento ocorre sob sedação moderada ou anestesia geral, conforme necessidade clínica e preferência da equipe.

CPRE - Cirugía del Conducto Biliar — Dra. Tatiana Zuñiga
CPRE - Cirugía del Conducto Biliar — Dra. Tatiana Zuñiga

Requisitos e equipamentos necessários para a CPRE

  • Equipamento endoscópico de alta definição, incluindo duodenoscópio com canal de trabalho flexível e sistema de imagem avançado.
  • Dispositivos de corte e hemostasia, como eletrocauterização e argolas de ressecção (snare).
  • Sistema de aspiração e insuflação para melhor visualização do campo operatório.
  • Instrumentação microcirúrgica auxiliar, quando necessário, para técnicas de sutura fina.
  • Monitorização adequada, incluindo saturação de oxigênio, ECG e ventilação controlada.
  • Acesso a serviços de anatomia patológica e imagem para avaliação intra e pós-operatória.

Passo a passo da técnica CPRE

  1. O paciente é posicionado em decúbito esquerdo e sedado adequadamente.
  2. O duodenoscópio é introduzido oralmente até a segunda porção do duodeno, localizando a papila Vater.
  3. Realiza-se a colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE) diagnóstica para mapeamento das vias biliares e pancreáticas.
  4. É feita punção sob controle de imagem com agulha fina para confirmação diagnóstica, se necessário.
  5. Com uso de cateteres-guia e balões, é estabelecido o acesso ao ducto pancreático principal ou a lesões ramificadas.
  6. Sonda de ressecção é introduzida e a lesão é mobilizada e ressecada com margem saudável, utilizando técnicas de corte e hemostasia.
  7. Amostras são encaminhadas para anatomia patológica em tempo real ou após o procedimento.
  8. O ducto é fechado com sutura ou clips, quando aplicável, e verifica-se hemostasia adequada.
  9. O procedimento é concluído com inspeção final e, se necessário, colocação de stent pancreático de curto prazo.

Vantagens da CPRE em relação à cirurgia aberta

A CPRE oferece diversas vantagens sobre a pancreatectomia aberta tradicional, incluindo menor trauma tecidual, redução significativa no tempo cirúrgico e menor sangramento. A recuperação pós-operatória é mais rápida, com menor dor, redução da necessidade de analgésicos e encurtada hospitalização. A preservação da maior parte do pâncreas contribui para manutenção da função exócrina e endócrina, diminuindo o risco de diabetes e má absorção a longo prazo. Além disso, a abordagem endoscópica permite diagnóstico preciso e tratamento direcionado, com menor risco de complicações associadas a grandes incisões.

Cuidados intraoperatórios e monitoramento contínuo

Durante a CPRE, a equipe monitora constantemente sinais vitais, saturação de oxigênio e resposta à sedação. A temperatura corporal é mantida, pois a exposição prolongada pode levar à hipotermia. O sistema de irrigação endoscópica deve ser ajustado para evitar distensão abdominal excessiva. Hemodinâmica é avaliada periodicamente, especialmente em pacientes com comorbidades cardiovasculares. A comunicação entre endoscopista e anestesista é essencial para ajustes rápidos e prevenção de eventos adversos intraoperatórios.

Complicações e manejo intra e pós-operatório

Embora a CPRE seja um procedimento seguro, é essencial estar preparado para possíveis complicações, como pancreatite pós-procedimento, sangramento, perfuração ductal ou infecção. A pancreatite geralmente se apresenta com dor abdominal intensa e elevação de amilase e lipase séricas; o manejo inclui repouso pancreático, hidratação adequada e, em casos mais graves, intervenção radiológica ou cirúrgica. O sangramento pode ser controlado com hemostasia local, eletrocauterização ou colocação de stent tamponador. A perfuração requer avaliação imediata e, muitas vezes, conversão para abordagem cirúrgica. A sepse associada à colangite deve ser tratada com antibióticos e drenagem, se necessário.

🩺 O que é o exame CPRE? Saiba tudo sobre a Colangiopancreatografia ...
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Pós-operatório e recuperação eficaz

O período pós-operatório da CPRE exige atenção rigorosa à dor, função digestiva e sinais de complicações. Em geral, o paciente permanece em observação por 24 a 48 horas, com jejus inicial e progressão para dieta líquida e, gradualmente, para dieta de baixo teor de gordura, conforme tolerância. A orientação inclui reposição hídrica adequada, manejo da dor com analgésicos não agressores ao pâncreas e educação para sinais de alerta, como febre, dor persistente ou icterícia. Acompanhamento com endoscopia de controle pode ser agendado para avaliação de cicatrização e remoção de stents, quando utilizados. A função pancreática é monitorada por meio de exames de absorção e glicemia, especialmente em pacientes com histórico de pancreatite crônica.

Perguntas frequentes sobre CPRE

CPRE é uma cirurgia de grande porte?

Não. A CPRE é uma técnica minimamente invasiva, realizada por via endoscópica, que evita grandes incisões e preserva a maior parte do pâncreas, resultando em menos agressividade em comparação com a pancreatectomia aberta.

Qual é a taxa de sucesso da CPRE?

A taxa de sucesso é alta quando a lesão é adequadamente selecionada e realizada por equipe experiente, com ressecção completa em muitos casos e baixa taxa de complicações significativas.

CPRE (colangiopancreatografía retrógrada endoscópica)
CPRE (colangiopancreatografía retrógrada endoscópica)

Quanto tempo dura a recuperação após CPRE?

A recuperação geral ocorre em 1 a 2 semanas para retorno às atividades leves, com monitoramento contínuo por 4 a 6 semanas em alguns casos, dependendo da extensão da ressecção e da resposta individual.

CPRE substitui completamente a quimioterapia ou radioterapia?

Não. A CPRE é uma opção de tratamento local para lesões limitadas e pode ser combinada com quimioterapia ou radioterapia em casos em que há necessidade de tratamento adjuvante, conforme orientação da equipe multidisciplinar.